Dispenser de sacolinhas para pets é tendência em condomínios

Pelo menos 15 empreendimentos em Londrina já contam com a novidade, que visa conscientizar sobre a

posse responsável, minimizar conflitos e zelar pela limpeza do passeio público

Queridos por uns e temidos por outros, os animais de estimação em condomínios são pivôs de muitos

conflitos entre moradores. Se na década de 1980 as convenções desses agrupamentos habitacionais

costumavam proibir os pets, hoje, a maioria busca regulamentar a presença deles para que dois direitos

sejam preservados: o de propriedade e o de vizinhança.

O que se busca, em resumo, é promover uma convivência harmoniosa e pacífica. Cada empreendimento

possui convenção e regimento próprios para tratar do tema, porém, uma medida em comum tem sido

adotada por vários condomínios em Londrina: o uso de “dispensers” com sacos plásticos para o

recolhimento das fezes dos animais. 

Há pelo menos nove anos, o Edifício Arquiteto Vilanova Artigas instalou o equipamento com bobinas

plásticas, que fica do lado externo do condomínio, próximo a uma lixeira.

O administrador do prédio, Sidnei Amaro, conta que as reclamações contra a sujeira e os dejetos

deixados pelos animais no entorno do conjunto habitacional eram recorrentes.

“Colocamos o dispenser do lado de fora para atender não só os nossos moradores, mas também aqueles

de ruas próximas”, conta. Segundo ele, os animais de estimação são proibidos de circular pelas áreas

comuns do condomínio.

Os moradores devem transportá-los no colo, ou em um carrinho, e utilizar o elevador de serviço para

levá-los até o portão de saída. 

Na avaliação de Amaro, é possível estabelecer uma convivência harmoniosa desde que o ponto de partida

seja a educação e o respeito entre os moradores e com os animais. Recentemente, o equipamento foi

substituído por um novo, doado pela UniFil Pet.

“É um dispenser com um acabamento melhor, que trouxe um aspecto visual mais agradável”, justifica. Os

moradores têm respondido bem à ação. 

O mesmo modelo foi instalado no Edifício Arquiteto Julio Ribeiro, onde os pets são reconhecidos como

“membros da família”. Mesmo abertos à presença de animais, o síndico do condomínio, Marcus Ginez,

lembra que cabe aos donos a responsabilidade de vacinar e prover os cuidados necessários para que eles

não ofereçam riscos aos condôminos.

O equipamento foi colocado na área externa do prédio e todos os moradores podem levar os sacos

plásticos durante os passeios com os bichinhos.

“Infelizmente, algumas pessoas são acomodadas e não se preocupam em cuidar da sujeira que os pets

fazem”, lamenta Ginez. Segundo o síndico, a ideia foi bem recebida e bastante elogiada. Para ele, a

solução do problema passa pela conscientização. 

APROVADO PELOS MORADORES 

Ciente da responsabilidade que possui pelos seus bichinhos, a empresária Angelica Miyamura, moradora

do Edifício Arquiteto Julio Ribeiro, diz que sempre carrega um saquinho ao levá-los para passeios na rua.

E olha que ela passeia bastante. São duas vezes por dia com um cachorrinho por vez.

“Tenho dó de levar dois e deixar um sozinho. Então, levo um e deixo dois juntos. Saio três vezes de manhã

e outras três à noite”, justifica. Ela é dona de duas fêmeas, a Mully e a Vivi, e um macho, o Niko. 

A empresária elogia a iniciativa do utensílio.

“Tem gente que sai e esquece de levar o saquinho. Eu mesma já fiquei na mão umas duas vezes porque

levei apenas um e minha cachorrinha fez cocô mais de uma vez. Tive que correr na lixeira e pegar o

saquinho de volta”, conta. Angelica aponta ainda outro ponto positivo em relação aos equipamentos

disponibilizados pelos condomínios: “Mostra que eles estão mais abertos aos pets, e não só aceitam como

querem colaborar”. 

O dentista Walter Gomes de Oliveira Filho e a veterinária Bertha Gomes de Oliveira, vizinhos de

Angelica, saem para passear com o Taco ao menos três vezes ao dia.

“Quando não tinha o dispenser, levávamos o saquinho de casa”, conta Oliveira. Segundo ele, a sujeira

deixada pelos animais e negligenciada pelos donos incomodava os moradores do prédio. Agora, com o

equipamento que disponibiliza os sacos plásticos e uma lixeira biológica em frente ao condomínio, o

problema foi amenizado. 

 

INSTALAÇÃO GRATUITA 

A UniFil Pet – uma empresa da UniFil que comercializa planos de saúde para cães e gatos – tem

disponibilizado gratuitamente os dispensers para condomínios de Londrina mediante solicitação. O gestor

de projetos da UniFil, Luciano Costa, conta que a ideia foi concebida em conjunto com o Hospital

Veterinário do centro universitário. “É algo que já existe em condomínios de São Paulo e que resolvemos

aplicar aqui na cidade com o objetivo de educar os moradores”, afirma. 

 

Segundo Costa, é evidente o aumento do número de pets em condomínios, por isso a importância de

incentivar a posse responsável. “Sair para passear com os animais e recolher as fezes deles é uma questão

de educação e higiene”, aponta. Diante da dificuldade de os síndicos administrarem conflitos relacionados

ao problema, o dispenser se mostra útil para minimizar as reclamações. “O equipamento contribui para a

limpeza da área do entorno do condomínio”, ressalta. 

 

Costa afirma que o projeto teve ótima receptividade por parte dos síndicos e administradores dos

conjuntos habitacionais. Até agora, 15 equipamentos foram instalados e novos pedidos já foram recebidos.“O síndico que tiver interesse pode entrar em contato com a gente que vamos fazer uma agenda de distribuição e

instalação nos próximos meses”, orienta. 

 

O utensílio é fabricado em material acrílico e custa em torno de R$ 150. Inicialmente, a UniFil Pet,

além de instalar, também fez a reposição das bobinas plásticas em alguns empreendimentos. Porém,

Costa adianta que a compra dos sacos plásticos – uma bobina com 200 sacos custa R$ 15 – ficará por

conta dos condomínios daqui pra frente. “Danos nos dispensers serão consertados por nossa equipe”,

assegura. 

 

O equipamento, desenvolvido pela empresa, é compacto e pode ser parafusado ou colado com fita dupla

face do lado interno – próximo à porta de saída – ou externo do condomínio. A instalação é feita pela

própria empresa. Luciano Costa destaca que o prazo para produção e instalação dependerá da demanda.

Segurança, salubridade e sossego 

Na avaliação do advogado que presta assessoria jurídica a diversos condomínios de Londrina, Angelo 

Tagliari Torrecilha, a instalação de dispensers é uma tendência tanto em empreendimentos verticais como horizontais.

Cada vez mais, os condomínios se mostram abertos aos animais, desde que um conjunto de regras

seja respeitado. “Evitar um animalzinho dentro de um apartamento ou casa em condomínio é

algo que hoje a jurisprudência não acolhe”, explica. 

 

Na avaliação do advogado, se os condôminos respeitarem os três “S”: segurança, salubridade e sossego,

não há problema algum em manter animais de estimação. A segurança tem a ver com o tipo e porte do

animal; a salubridade se refere à quantidade de pets e boas condições de higiene; e o sossego está

diretamente relacionado a um nível aceitável de ruído – latidos incessantes são a principal causa de

reclamações. 

 

Para lidar com os conflitos que possam surgir com a presença de animais, Torrecilha orienta que os

síndicos optem, primeiro, pelo diálogo. Quando muitas reclamações começam a chegar, a recomendação

é que o administrador distribua uma circular enfatizando as regras do condomínio. Se o problema

persistir, uma conversa direta com o morador ou os moradores envolvidos pode se mostrar mais eficaz.

Se houver reincidência, o síndico pode advertir e, em último caso, aplicar multa. (A.S.)

 

FONTE: SÍNDICO NET